Direita Volver! Razões para uma afirmação política

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A meus olhos, continua a haver, na verdade, uma direita propriamente dita e uma direita impropriamente dita, sendo que a direita propriamente dita é, quanto a mim, a direita que não convém à esquerda: e é essa, e essa mesmo — essa e não outra —, a direita a que pertenço, de corpo e alma, e de alma e coração.

  • Rodrigo Emílio

Volvidos 43 anos após o golpe militar de Abril e a Direita política, cultural e social em Portugal continua a ser definida não por aqueles que a compõem, como seria de esperar, mas pelos seus detractores, que, naturalmente, a moldam e condicionam de acordo com as suas perspectivas ideológicas e interesses políticos. A Direita portuguesa, salvo raros momentos esporádicos e alguns esforços reconhecidos, tem sido um mera simulacro, um espectro que na maior parte das vezes é usado pela esquerda para, ora fingir que tem oposição, ora para assustar os incautos com o espantalho do regresso à ditadura, ditadura que, à luz da história comparada, nos permite afirmar não ter sido assim tão dura, caso contrário… enfim, um tema para esmiuçar noutra ocasião.

Assim, chegados aqui, não deixa de ser caricato constatar que dentro daquilo que se passou comummente a designar por  Direita no nosso país, engloba-se, com a maior desfaçatez, a social-democracia ou a democracia de pendor cristão, ou, por outras palavras, à falta de uma Direita real, apelida-se de Direita um partido de génese esquerdista (PSD) e outro de orientação centrista (CDS), os quais cumprem assim o objectivo do circo político luso que visa simular a existência dos dois pólos ideológicos. Nada tão falso!

A verdade é que após os 43 anos de matraquear político-mediático, em boa medida esquerdistas e liberais alcançaram o almejado objectivo de associar a Direita a algo pernicioso, tóxico, pouco recomendável. Tanto assim é que ninguém em Portugal, no cenário político luso, tem a ousadia de se assumir como sendo de Direita. O imaginário colectivo foi colonizado e a simples audição do vocábulo Direita faz soar os indesejados alarmes e desperta a fuga a qualquer holofote que coloque a descoberto indícios de Direitismo. Quando alguém permite que o inimigo lhe incuta temor, o force à auto-censura, o condicione na sua liberdade de expressão, o inimigo praticamente venceu!

Praticamente, não totalmente, pois portugueses há – e cada vez em maior número – que se afirmam de Direita, mas da verdadeira Direita, da Direita sem complexos históricos, a Direita que assume sem complexos as suas influências intelectuais e se atreve a rever nas insignes figuras de António Sardinha e Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Alfredo Pimenta, António Ferro e João Ameal, António de Oliveira Salazar e António José de Brito ou no poeta-soldado Rodrigo Emílio, nas figuras marciais e vitalistas de Kaúlza de Arriaga e Alpoim Calvão. Uma Direita que recusa o provincianismo e por isso mesmo se revê e reclama para si o pensamento de Friedrich Nietzsche e Martin Heidegger, Oswald Spengler e Carl Schmitt, Giovanni Gentile e Julius Evola, Ezra Pound e Francis Parker Yockey, na escrita de Robert Brasillach e Abel Bonnard,  Pierre Drieu La Rochelle e  Louis-Ferdinand Céline, bem como de pensadores mais recentes como são os incontornáveis Alain de Benoist e Guillaume Faye, Pierre Kres e Aleksander Dugin, Pentti Linkola ou Jack Donovan.

Somos a Direita que não renega o seu passado histórico mas antes encontra no mesmo as referências e devida inspiração, a Direita que ostenta orgulhosa um paroxísmico amor Pátrio, a Direita afincadamente identitária e nacionalista e, se se quer, populista, porquanto o populismo é estar ao lado do povo, escutá-lo e corresponder às suas inquietações e necessidades. Somos a Direita que vê na presidência de Donald J. Trump um balão de oxigénio global, a Direita que torce pela vitória da senhora Marine Le Pen para que a França continue francesa, a Direita que olha para Viktor Orbán como o exemplo do político ao serviço da vontade do povo, para Vladimir Putin como o estadista que reergue dos destroços comunistas uma nação inteira com base em valores patrióticos. Somos a Direita que propugna a soberania das nações contra as oligarquias plutocráticas, a Direita francamente europeísta e por isso mesmo firmemente contrária a esta União Europeia desligada dos cidadãos europeus. Somos também a Direita que denúncia a imigração que, em jeito de invasão, coloniza agora a terra daqueles que acusaram de ser colonizadores. A Direita que está com os trabalhadores autóctones e que devido precisamente a essa imigração foram enganados por liberais e esquerdistas, liberais que vêem na imigração um exército de reserva e encaram os trabalhadores como meros peões intercambiáveis no grande super-mercado global, e esquerdistas que, toldados pelo dogmatismo internacionalista e movidos pelo calculismo eleitoralista, vislumbram nas massas imigrantes uma espécie de neo-proletariado e futuros votantes. Nós somos a Direita que alerta para o perigo demográfico que Portugal enfrenta e que não será resolvido com a injecção de imigrantes em solo nacional, pois Portugal somente continuará a ser Portugal enquanto o seu povo mantiver a sua raiz europeia!

Constituímos assim a afirmação de uma nova atitude política de uma Direita que se quer profusamente mergulhada no campo da cultura, em plena ofensiva pela mudança e conquista das mentalidades, uma Direita pronta a resgatar à esquerda e a liberais o sequestro do campo social.

Em suma, representamos um novo impulso à Direita no panorama político, uma vez que afirmamos, exaltamos, promovemos a “Direita irreverente, desinibida, mal-comportada”parafraseando Rodrigo Emílio, a Direita oposta à direitinha que ampara a esquerda, a direitinha que procura a respeitabilidade da esquerda, a direitinha envergonhada e incapaz de se assumir frontalmente como Direita e por isso prefere o centro. Em suma, nunca seremos a direitinha que convém à esquerda.

Chegou o momento. Direita Volver!

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