O affaire Dijsselbloem ou um caso de fake news na fake European Union?

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Racista, xenófobo e sexista”, afirmou o primeiro-ministro do governo não-eleito, António Costa, referindo-se às declarações do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem. O senhor Costa, desatento dos workshops do Bloco de Esquerda, deveria já conhecer a lição; quando se saca da cartilha deve-se fazer uso integral da mesma e, como tal, deveria ter reforçado a acusação ao político holandês com os restantes e sonantes lugares-comuns: homofóbico, islamofóbico, anti-semita, nazi-fascista, transfóbico e misógino. O impacto era outro e teríamos agora os membros da LGBTQI… (e restantes letras do abecedário) a fazer coro dos protestos.

Mas o que disse afinal o presidente do Eurogrupo, organismo que ninguém conhece?
De acordo com os órgãos de comunicação o presidente do Eurogrupo (reunião mensal dos Ministros das Finanças dos Estados-Membros da Zona Euro) terá afirmado numa entrevista o seguinte: “Na crise do euro os países do Norte mostraram solidariedade para com os países do Sul. Como social-democrata, a solidariedade é para mim extremamente importante. Mas quem a pede, tem também deveres. Não posso gastar o meu dinheiro todo em bebidas e mulheres e depois disso ir pedir a vossa ajuda. Este princípio vale para o nível pessoal, local, nacional e também europeu”. Ora, para os rigorosíssimos jornalistas, agora tão preocupados com as chamadas fake news, Dijsselbloem simplesmente acusou os europeus do Sul de gastarem o seu dinheiro em copos e mulheres!

Não nos cabe a defesa do ministro holandês, o qual não colhe qualquer simpatia ideológica da nossa parte, não fosse ele um elemento integrante desta grande empresa multinacional, que é a União Europeia.  Mais a mais, temos noção que as declarações de Costa, resultantes da manipulação jornalística, inserem-se dentro de uma lógica política e também jornalística, seja, no primeiro caso, por jogadas de interesses politiqueiros, seja, no segundo caso, por necessidade de notícias, nem que seja necessário fabricá-las.
Porém, porque o dever de verdade se impõe, e porque há que combater a instrumentalização mediática, na maior parte das vezes de mão dada com os interesses de capela política, chega-se facilmente à conclusão que este affaire não é senão mais um grotesco capítulo das fake news.  Dijsselbloem na entrevista em momento algum referiu “países do sul”. Quando afirma que “não se pode gastar,”não há sujeito definido, constituindo assim uma referência a qualquer um, ao infinito impessoal.
Ainda que fosse lícito desconfiar dos conhecimentos gramaticais de alguns jornalistas, não temos dúvidas que este affaire resultou do facto dos senhores jornaleiros terem retirado apressadamente ilações das declarações do detestável presidente do detestável Eurogrupo e que estamos, pois, perante um caso flagrante de fake news, uma vez que as mencionadas fake news não se restringem à divulgação de acontecimentos inexistentes, mas também à grosseira manipulação dos factos.

Por fim, e porque nem tudo nesta novela é patético, não podemos deixar de referir que António Costa, não obstante o seu vocabulário limitado, nem sempre se limita a verter barbaridades boca fora. No seguimento do affaire Dijsselbloem, o primeiro-ministro afirmou que  o senhor Dijsselbloem já estaria demitido “Numa Europa a sério”!
Senhor António Costa, não poderíamos estar mais de acordo, esta não é uma Europa a sério, a Europa da qual o senhor faz parte, esta União Europeia é uma Europa anti-europeia, uma Europa que não corresponde aos interesses dos cidadãos europeus, é uma Fake European Union!

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