O grupo de Visegrad, linha da frente dos interesses dos europeus

visegrad

Os dirigentes da Polónia, da Hungria, da Eslováquia e da República Checa reuniram-se na passada terça-feira em Varsóvia para debaterem as imposições da União Europeia no que respeita às quotas de acolhimento de “refugiados”. Estes países estabeleceram um acordo para fins de cooperação, o qual ficou conhecido como Grupo de Visegrad ou V4.

No referido encontro a primeira-ministra polaca, Beata Szydło, criticou Dimitris Avramopoulos, comissário da União Europeia para as migrações, pelas declarações deste, o qual afirmou “não haver mais desculpas” e “que não haverá mais conversações sobre as recolocações“.

Szydło, falando enquanto primeira-ministra, mas também como porta-voz do Grupo de Visegrad respondeu, declarando que “O Grupo de Visegrad, do qual faz parte a Polónia, nunca aceitará a chantagem e não concordará com tal imposição“(1). Por seu turno o vice-primeiro ministro polaco, Jarosław Gowin, declarou que “Resolver o problema passa pela eliminação da fonte do problema, que é obter a paz no Oriente Médio“.

O Grupo de Visegrad mostra-se assim unido e resoluto no que toca à questão dos “refugiados”. De recordar que na semana passada a Hungria recusou aceitar 5.000 imigrantes que rumaram para a Suécia, mas que agora a nação nórdica pretende devolver à Hungria, alegando que estes imigrantes se registaram inicialmente nesta república centro-europeia. Refira-se que o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, está na vanguarda da confrontação contra as políticas migratórias da UE, recolhendo um apoio esmagador do povo húngaro, em plena harmonia com os mais basilares princípio da democracia.

Mas o que é realmente o Grupo de Visegrad?

De forma muito sumária o Grupo de Visegrad resulta da aliança dos países anteriormente mencionados e que adoptou uma designação que remonta ao encontro entre os soberanos Carlos I da Hungria, Casimiro III da Polónia e João I da Boémia, realizado em 1335, precisamente na cidade húngara de Visegrad, tendo o actual grupo, também conhecido como V4, sido formado na mesma cidade, a 15 de Fevereiro de 1991, com o intuito de fortalecer a colaboração e impulsionar a integração do grupo na União Europeia, mas cuja cooperação perdurou em diversos campos, inclusive no domínio da segurança interna, que estes estados consideram colocada em perigo, devido à decisão irresponsável e não democrática do parlamento europeu em acolher em solo europeu milhões de imigrantes travestidos de refugiados.

A esse propósito a primeira-ministra polaca foi peremptória quando afirmou que “uma UE forte significa a garantia de um seguro desenvolvimento da Polónia e da segurança dos seus cidadãos”, acrescentando que “Se estamos à procura de soluções para a crise actual, na qual a Comunidade Europeia se encontra hoje, devemos centrar-nos em iniciativas que unam os Estados-Membros e evitar aquelas que os dividem. Infelizmente, estas últimas são as mais frequentes “(2).

O Grupo de Visegrad afigura-se deste modo como um sólido bloco disposto a enfrentar os demandos tecnocratas de uma União Europeia cada vez mais afastada dos cidadãos europeus, mergulhada numa autêntica espiral economicista, para a qual os imigrantes, de forma oportunista são camuflados com o manto de refugiados, revelam-se como um exército de reserva no mercado laboral, e as pessoas de forma generalizada se resumem à condição de elementos intercambiáveis na grande balbúrdia do mercado global, na exacta medida em que as empresas foram sujeitas às ignóbeis deslocalizações.

Com o actual rumo da UE, em linha recta para o abismo, será de esperar que, à medida que o mapa político europeu mudar de orientação ideológica, mais países procurem aderir ao Grupo de Visegrad, reforçando assim aqueles que hoje assumem democraticamente estar ao serviço dos interesses dos povos que os elegeram, mesmo que isso implique o inevitável choque com os desfasados políticos liberais e esquerdistas que, por enquanto, predominam na parte mais ocidental da Europa.

A Áustria demonstrou isso mesmo esta semana quando o seu chanceler, Christian Kern, declarou que “uma excepção é necessária para a Áustria por já ter cumprido sua obrigação, vamos discutir isso com a Comissão Europeia“(3).

Os ventos de Leste sopram de novo mas desta vez distantes das utopias assassinas de má memória e com o enfoque nas inquietações e desejos das suas populações.

*Para mais informações sobre as iniciativas do Grupo de Visegrad recomendamos a visita à página Visegrad Post.

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