A Disforia Ideológica da Esquerda

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Em Portugal, apesar de não sermos excepção, temos uma esquerda ideologicamente disfórica. Se por um lado advoga para uma economia mais centralizada, mais colectivista e com mais peso/impacto do Estado, por outro lado, no campo social, defende uma sociedade cada vez mais individualista, mais desprovida de quaisquer valores nacionais, morais e familiares e sobretudo mais hedonista, uma sociedade mais preocupada com “o seu umbigo”, mas que ao mesmo tempo impõe que “todos contribuam”.

Excluindo o PCP da equação, os Partidos Portugueses que se identificam com a Esquerda (sobretudo o Bloco de Esquerda), tendem a defender tudo o que maximiza os direitos individuais em detrimento dos direitos colectivos. Colocam a pessoa individual acima do colectivo. Desde assuntos como a legalização das drogas até ao aborto, passando pelo activismo LGBT+, todas as iniciativas da Esquerda estão focadas sempre em prol do individuo e da maximização do prazer deste. Para estes, o individuo é mais importante que o seu país, que a sua família e que a sua comunidade. Para estes o Individuo tem o direito (aliás mais que o direito, o dever!) de fazer “o que quiser” e mais ninguém tem sequer o direito de o criticar ou opinar sobre as acções deste. É a tolerância irracional levada ao limite.

Por outro lado, esta mesma esquerda que no campo social se bate por criar cidadãos individualistas, que não se preocupem com nada nem ninguém, apenas com eles mesmos, no campo económico tem uma ideologia completamente contraditória. Visam acima de tudo uma economia mais distributiva, com impostos mais elevados e um Estado Social mais dominador. Uma economia onde todos contribuem e todos usufruem e uma economia que realça a importância do grupo/colectivo sobre o individuo.

A disforia reside exactamente aqui. Uma economia colectivista necessita imperativamente que todos os seus membros tenham os mesmos objectivos e a mesma mentalidade. Que todos partilhem do espírito do grupo e estejam dispostos a fazer sacrifícios por este mesmo grupo. Que todos, em vez de pensarem no seu bem-estar a curto-prazo, pensem no bem-estar do colectivo a longo-prazo. Aliás, na antiga URSS, o objectivo da criação do Novo Homem Soviético era mesmo criar um individuo que não o fosse. Isto que dizer, alguém que não pensasse em si mesmo mas sim no grupo, no colectivo.

Existe também um grande contradição nos discursos da esquerda que raramente é mencionada. A mesma esquerda que constantemente critica e ataca as empresas que se deslocalizam e procuram países onde a carga tributária é mais leve ou a mão de obra é mais barata é a primeira a defender a liberdade de movimento das pessoas levada ao extremo (sobretudo imigração sem controlo e levada ao limite).

E nesta mesma posição face à imigração reside ainda outra contradição! A mesma esquerda que diz defender o trabalhador e que visa o fim do grande capital é a primeira a traí-lo. Ao importar milhares de trabalhadores de países subdesenvolvidos, sem qualquer cultura sindical, dispostos a trabalhar por qualquer salário o que acontece é naturalmente um aumento na oferta de mão-de-obra, depreciando o valor desta e baixando os salários aos trabalhadores nativos. O resultado é benéfico apenas para os grandes empresários que agora podem dar-se ao luxo de pagar menos aos seus empregados e lucrar muito mais com isso.

 O discurso ideológico da esquerda é tão repleto de contradições que devemos em todas as ocasiões expor e denunciar este tipo de retórica populista desprovida de quaisquer argumentos lógicos e cujos postulados não se aguentam a longo prazo. Não é surpresa para ninguém que a forma de debate favorito da esquerda é o infinito recurso ao ad-hominem de modo a tentar a todo o custo silenciar a oposição e manter a ilusão que estes criaram…

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