Síria e Trump, o regresso dos neocons ou apenas um desviar de atenções?

O ataque militar norte-americano contra uma base militar síria, ordenado pela administração Trump, faz saltar de imediato várias questões e oferece outras tantas leituras:

Se Gibraltar é espanhol, Olivença é portuguesa!

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Gibraltar  voltou a ser tema por estes dias, depois das dúvidas que surgem em torno do destino desta península após o Brexit. Se é certo que este território goza de autonomia administrativa, mantém, todavia, uma estreita ligação à coroa britânica, a qual, por lapso, não referiu Gibraltar na carta em que Theresa May accionou o Artigo 50, com vista ao abandono da União Europeia pelo Reino Unido, o que despertou o Reino de Espanha para a velha questão da soberania sobre o mencionado território e levou a uma acesa troca de palavras, em tom belicista, entre os dois estados europeus.

Mas vamos aos factos. Em 1713 foi assinado o Tratado de Utreque que tinha por objectivo pôr fim  à guerra da sucessão espanhola (1701–1714) ,  definir a questão da sucessão no trono de Espanha e redefinir o xadrez político europeu e dependências ultramarinas. Do dito tratado resultou para a Inglaterra a cedência de importantes bases marítimas, entre as quais Gibraltar. Acontece que a coroa espanhola entende o acordo de cedência do rochedo a título de empréstimo e não enquanto cedência da soberania sobre o território, pois, argumenta, o texto prevê a devolução e não contempla qualquer direito da população de Gibraltar, entretanto colonizado por britânicos, a decidir acerca da já referida soberania, argumento usado por Londres para justificar a sua posse do istmo gibraltino, depois de ter realizado vários referendos em que questionava os habitantes do território se preferiam optar pela soberania espanhola ou manter a cidadania britânica.

Se podemos compreender os argumentos de parte a parte, não deixa de ser caricato o facto de Espanha reclamar Gibraltar sem tecer qualquer comentário acerca da questão de Olivença, Continue reading “Se Gibraltar é espanhol, Olivença é portuguesa!”

O grupo de Visegrad, linha da frente dos interesses dos europeus

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Os dirigentes da Polónia, da Hungria, da Eslováquia e da República Checa reuniram-se na passada terça-feira em Varsóvia para debaterem as imposições da União Europeia no que respeita às quotas de acolhimento de “refugiados”. Estes países estabeleceram um acordo para fins de cooperação, o qual ficou conhecido como Grupo de Visegrad ou V4.

No referido encontro a primeira-ministra polaca, Beata Szydło, criticou Dimitris Avramopoulos, comissário da União Europeia para as migrações, pelas declarações deste, o qual afirmou “não haver mais desculpas” e “que não haverá mais conversações sobre as recolocações“.

Szydło, falando enquanto primeira-ministra, mas também como porta-voz do Grupo de Visegrad respondeu, declarando que “O Grupo de Visegrad, do qual faz parte a Polónia, nunca aceitará a chantagem e não concordará com tal imposição“(1). Por seu turno o vice-primeiro ministro polaco, Jarosław Gowin, declarou que “Resolver o problema passa pela eliminação da fonte do problema, que é obter a paz no Oriente Médio“.

O Grupo de Visegrad mostra-se assim unido e resoluto no que toca à questão dos “refugiados”. De recordar que na semana passada a Hungria recusou aceitar 5.000 imigrantes que rumaram para a Suécia, mas que agora a nação nórdica pretende devolver à Hungria, alegando que estes imigrantes se registaram inicialmente nesta república centro-europeia.  Continue reading “O grupo de Visegrad, linha da frente dos interesses dos europeus”

Sempre na vanguarda da informação (episódio I)

Por João Vaz
Licenciado em Filosofia

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Sempre na vanguarda da informação apresentamos hoje a entrevista com o ministro Ding Dong, responsável britânico pela segurança, isto a propósito do sucedido em Londres.

-Sr. Ministro, um primeiro comentário a este atentado.

-Ora bem, em primeiro lugar há que ter cuidado com as palavras. A expressão atentado parece-me muito forte e pode dar azo a interpretações erradas. Como sabemos que não se trata de insurgência, de resistência? A nossa BBC, com o seu selo de qualidade, recusa-se a usar o termo “terrorista” pois o terrorista de uns é o combatente da liberdade de outros. Além disso, como nos ensinou Jacques Derrida e a gramatologia…

-Certamente, sr. Ministro. Mas diga-nos, qual vai ser a reacção a estes acontecimentos?

-Qual vai ser? Já foi! Já reagimos e de forma exemplar! Deixe-me dizer-lhe que os nossos aliados franceses desligaram a luz da Torre Eiffel em sinal de solidariedade, enviando assim uma mensagem muito forte aos insurgentes. Foram colocadas flores no locar do sucedido. No nosso caso, em reunião, os ministros discutiram medidas semelhantes. Houve mesmo uma proposta de desligar o Big Bang e…

-Peço desculpa por interromper, sr. Ministro, mas refere-se ao Big Ben, certamente.

-Ou isso, é igual. Mas concordou-se que tal seria excessivo. Optou-se por medidas mais concretas mas, ainda assim, firmes. Vamos pedir aos senhores do Dito Estado Dito Islâmico, como muito bem diz um grande comentador do vosso país, se não se importam de parar com estas acções. Mas temos de ter cuidado com as reacções, é necessário não cedermos à xenofobia e à islamofobia. Veja, tivemos um ministro, não vou dizer qual, a sugerir que usássemos uma bandeira britânica na lapela. Imagine-se! Que sinal daríamos? Que somos xenófobos e de extrema-direita! Não, temos de ter muita cautela porque não queremos magoar os nossos irmãos islâmicos nem fazer o jogo dos racistas.

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Marine Le Pen é a preferida entre os jovens

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Uma recente sondagem realizada pelo Centre de recherches politiques de Sciences Po revela que a candidata presidencial pelo Front National, Marine Le Pen, é a que colhe mais simpatia entre os jovens franceses de raiz e também entre os jovens descendentes da imigração europeia, destacando-se os portugueses.

Ainda que tal se afigure bizarro para as infantis mentes de esquerda e quejandos, na realidade este resultado não serve senão para demonstrar que o problema na Europa não reside na migração intra-europeia, uma vez que os europeus partilham características etno-culturais comuns e que permitem que portugueses se integrem perfeitamente na sociedade gaulesa, polacos na sociedade inglesa ou ucranianos na sociedade lusa.

O problema encontra-se, pois então, na imigração extra-europeia, uma imigração que teve inicio nos anos 60 do século passado, com a chamada descolonização europeia, e que, incrivelmente, nunca foi colocada a sufrágio popular, uma imigração que pelas suas características culturais e religiosas se revelou incompatível com os nossos padrões culturais e hábitos sociais, geradora de conflitos e movida em muitos casos por um espírito revanchista e de conquista.

O affaire Dijsselbloem ou um caso de fake news na fake European Union?

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Racista, xenófobo e sexista”, afirmou o primeiro-ministro do governo não-eleito, António Costa, referindo-se às declarações do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem. O senhor Costa, desatento dos workshops do Bloco de Esquerda, deveria já conhecer a lição; quando se saca da cartilha deve-se fazer uso integral da mesma e, como tal, deveria ter reforçado a acusação ao político holandês com os restantes e sonantes lugares-comuns: homofóbico, islamofóbico, anti-semita, nazi-fascista, transfóbico e misógino. O impacto era outro e teríamos agora os membros da LGBTQI… (e restantes letras do abecedário) a fazer coro dos protestos.

Mas o que disse afinal o presidente do Eurogrupo, organismo que ninguém conhece? Continue reading “O affaire Dijsselbloem ou um caso de fake news na fake European Union?”