Síria e Trump, o regresso dos neocons ou apenas um desviar de atenções?

O ataque militar norte-americano contra uma base militar síria, ordenado pela administração Trump, faz saltar de imediato várias questões e oferece outras tantas leituras:

O grupo de Visegrad, linha da frente dos interesses dos europeus

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Os dirigentes da Polónia, da Hungria, da Eslováquia e da República Checa reuniram-se na passada terça-feira em Varsóvia para debaterem as imposições da União Europeia no que respeita às quotas de acolhimento de “refugiados”. Estes países estabeleceram um acordo para fins de cooperação, o qual ficou conhecido como Grupo de Visegrad ou V4.

No referido encontro a primeira-ministra polaca, Beata Szydło, criticou Dimitris Avramopoulos, comissário da União Europeia para as migrações, pelas declarações deste, o qual afirmou “não haver mais desculpas” e “que não haverá mais conversações sobre as recolocações“.

Szydło, falando enquanto primeira-ministra, mas também como porta-voz do Grupo de Visegrad respondeu, declarando que “O Grupo de Visegrad, do qual faz parte a Polónia, nunca aceitará a chantagem e não concordará com tal imposição“(1). Por seu turno o vice-primeiro ministro polaco, Jarosław Gowin, declarou que “Resolver o problema passa pela eliminação da fonte do problema, que é obter a paz no Oriente Médio“.

O Grupo de Visegrad mostra-se assim unido e resoluto no que toca à questão dos “refugiados”. De recordar que na semana passada a Hungria recusou aceitar 5.000 imigrantes que rumaram para a Suécia, mas que agora a nação nórdica pretende devolver à Hungria, alegando que estes imigrantes se registaram inicialmente nesta república centro-europeia.  Continue reading “O grupo de Visegrad, linha da frente dos interesses dos europeus”

SEMPRE NA VANGUARDA DA INFORMAÇÃO (EPISÓDIO II)

Por João Vaz
Licenciado em Filosofia

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Entrevista com o camarada Hernando Matos, grande educador da classe operária.

-Boa tarde, dr. Hernando, bem haja pela entrevista. Diga-nos, doutor, o senhor causou recentemente polémica com as suas palavras acerca dos atentados na Europa. Quer clarificar o sentido das mesmas?

-Boa tarde, senti necessidade, eu sempre fui assim, sempre estive com os povos do mundo contra o imperialismo e o capitalismo e… só um momento… (atende o telemóvel), sim, diz, sim… é para comprar, isso, sim, vá, depois falamos. Peço desculpa, era um dos meus gestores de conta, por causa de uns títulos que lhe disse para comprar, mas onde é que íamos?

-No capitalismo…

-Ah, pois, eu sempre lutei contra o capital, sempre, e quando estas coisas acontecem estou com os povos explorados e contra o imperialismo. Bombas na França? Na Suiça? Na Holanda? Contra o imperialismo? Apoio.

-Mas o doutor, se bem me recordo, apoiou a invasão do Afeganistão pela URSS, e esteve com a China quando ela atacou o Vietname e…

-Não queira misturar as coisas! Assim não nos entendemos! Isso não era imperialismo! Isso era uma acção contra o capital, vai daí apoiei.

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Factos acerca dos “refugiados de Aveiro” que afinal são terroristas

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Esta semana as autoridades alemãs entregaram à Polícia Judiciária um cidadão marroquino ligado ao terrorismo islâmico. Trata-se do segundo cidadão marroquino, a quem o Estado português concedeu o estatuto de refugiados e que foram instalados em Aveiro, detido por suspeita de actividade terrorista. Mas passemos aos factos:

  • Abdessalam Tazi, 63 anos, teria ainda em Marrocos a função de recrutador para o Estado Islâmico.
  • Abdessalam Tazi tinha a intenção de conseguir o asilo político em Portugal e fazer do nosso país uma base da sua actividade para o resto da Europa.
  • Abdessalam Tazi identificava jovens islamitas radicais dispostos a emigrarem e proporcionava-lhes documentos e bilhetes de viagem.
  • Abdessalam Tazi conheceu Hicham el Hanachi e chegaram em 2013 ao aeroporto de Lisboa com passaportes e identidades falsas, alegando ser essa única forma de fugir do país onde eram perseguidos politicamente.
  • Abdessalam Tazi e Hicham el Hanachi esconderam que se conheciam.
  • Abdessalam Tazi afirmou ser polícia em Marrocos e assumiu-se opositor ao regime marroquino, defendendo uma linha islâmica mais radical.
  • Abdessalam Tazi e Hicham el Hanachi obtiveram estatuto de refugiados em 2014.
  • Abdessalam Tazi e Hicham el Hanachi foram monotorizados pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, organismo que confirmou que estavam tentar a radicalizar jovens no centro de refugiados da Bobadela e entre outros membros da comunidade marroquina em Portugal.
  • Abdessalam Tazi e Hicham el Hanachi recrutaram pelo menos dois jovens, um deles também refugiado, que acabaram por se juntar ao ISIS na Síria.
  • Abdessalam Tazi e Hicham el Hanachi, ao abrigo do estatuto de refugiados concedido pelas autoriades portugueses, viajaram, de acordo com os registos conhecidos para Espanha, Inglaterra, França, Grécia, Turquia e até Brasil.
  • Abdessalam Tazi e Hicham el Hanachi separaram-se no ano passado, vindo Hicham el Hanachi a ser detido em Novembro pela polícia francesa por suspeita de estar a preparar um atentado ao Disneyland Paris, depois de se ter percebido que havia estado na Síria onde recebeu treino militar com o ISIS.
  • Abdessalam Tazi tinha também residência na Alemanha, país onde acabou por ser preso por crimes relacionados com falsificações, burlas e fraudes, que serviam de financiamento da sua actividade.

Levantam-se agora as seguintes questões:

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Sempre na vanguarda da informação (episódio I)

Por João Vaz
Licenciado em Filosofia

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Sempre na vanguarda da informação apresentamos hoje a entrevista com o ministro Ding Dong, responsável britânico pela segurança, isto a propósito do sucedido em Londres.

-Sr. Ministro, um primeiro comentário a este atentado.

-Ora bem, em primeiro lugar há que ter cuidado com as palavras. A expressão atentado parece-me muito forte e pode dar azo a interpretações erradas. Como sabemos que não se trata de insurgência, de resistência? A nossa BBC, com o seu selo de qualidade, recusa-se a usar o termo “terrorista” pois o terrorista de uns é o combatente da liberdade de outros. Além disso, como nos ensinou Jacques Derrida e a gramatologia…

-Certamente, sr. Ministro. Mas diga-nos, qual vai ser a reacção a estes acontecimentos?

-Qual vai ser? Já foi! Já reagimos e de forma exemplar! Deixe-me dizer-lhe que os nossos aliados franceses desligaram a luz da Torre Eiffel em sinal de solidariedade, enviando assim uma mensagem muito forte aos insurgentes. Foram colocadas flores no locar do sucedido. No nosso caso, em reunião, os ministros discutiram medidas semelhantes. Houve mesmo uma proposta de desligar o Big Bang e…

-Peço desculpa por interromper, sr. Ministro, mas refere-se ao Big Ben, certamente.

-Ou isso, é igual. Mas concordou-se que tal seria excessivo. Optou-se por medidas mais concretas mas, ainda assim, firmes. Vamos pedir aos senhores do Dito Estado Dito Islâmico, como muito bem diz um grande comentador do vosso país, se não se importam de parar com estas acções. Mas temos de ter cuidado com as reacções, é necessário não cedermos à xenofobia e à islamofobia. Veja, tivemos um ministro, não vou dizer qual, a sugerir que usássemos uma bandeira britânica na lapela. Imagine-se! Que sinal daríamos? Que somos xenófobos e de extrema-direita! Não, temos de ter muita cautela porque não queremos magoar os nossos irmãos islâmicos nem fazer o jogo dos racistas.

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Isto não é um sketch humorístico, é uma análise do director do “Courrier Internacional”

A Associação de Iniciativa Cívica Portugueses Primeiro publicou um vídeo que recupera parte de um programa da SIC no qual o director do “Courrier Internacional”, Rui Cardoso, expressou desconcertantes declarações que ultrapassam o ridículo e inserem automaticamente este sujeito na categoria de “Palerma do Ano”, como acertadamente o classificou a referida associação.
Poderia especular acerca do estado mental do indivíduo, mas tal exercício revela-se desnecessário quando se ouve o que este… (desculpem, necessito respirar fundo), dizia, este cavalheiro proferiu em plena tv.  Ora escutem…